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Para onde vai o OS/2?

A IBM está com todo um esquema pronto para lançar no mercado, em 1999 o sucessor do OS/2, uma espécie de Warp Server chamado Aurora e que apresenta melhoramentos simplesmente incríveis em relação a tudo o que se conhece por aí em matéria de sistema operacional voltado para o mercado corporativo. Além de ser totalmente compatível com as novas realidades do ano 2000, o Aurora vem preparado para trabalhar com a nova moeda única européia, o Euro.


por @Macarlo, Team OS/2


A aurora de uma nova era


O ano 2000 aproxima-se e é esperado como o limiar de uma nova era não só em termos de avanço tecnológico mas também e principalmente em função de uma qualidade de vida que esse avanço deveria propiciar: mais paz, mais saúde, mais prosperidade e, consequentemente, mais felicidade. Nessa nova era em que já não há lugar para gurus espirituais, cada ser humano deverá ser o seu próprio mestre em todos os sentidos e praticamente em todas as áreas e, para que isso aconteça, é fundamental que as pessoas se afirmem como detentoras do poder de controlar seus destinos. Dentro desta perspectiva desejável o computador aparece como a figura central de um novo plano de manifestações e é justamente aí, com este enfoque, que devemos analisar o papel dos sistemas operacionais.
Atualmente, vemos o mundo da informática dividido em duas metades distintas e bem definidas: de um lado a Microsoft com todo o seu poderio e, de outro, aquilo que poderíamos chamar de "conjunto de sistemas alternativos". Se nós, por uns instantes, tentarmos nos desvincular dessa coisa menor que é o aspecto técnico do problema e procurarmos observar essa evolução como um todo, com visão macro, imediatamente perceberemos que a IBM, peça muito importante nesse jogo, definiu claramente sua estratégia: ela deixará o mercado SOHO para a Microsoft e ainda por cima tentará tirar partido dessa opção, através do OEM, porque sabe que isso incrementará as vendas de suas máquinas.
Em termos de merchandising de software a IBM não desistirá da plataforma OS/2 mesmo que lhe mude o nome, não só por contar com um mercado cativo que rende alto, mas também por ter visto altas possibilidades de expansão nesta fatia.
Ninguém ignora que quando um indivíduo ou uma empresa fazem sucesso logo se tornam o alvo comum de todos os invejosos do planeta. No caso Bill Gates/Microsoft vemos o fenômeno do homem e sua empresa fundidos em uma una imagem de êxito. Ele, o homem mais rico do mundo; ela (a Microsoft) a mais poderosa máquina para o controle da manada humana. Então começam os ataques: uma pizza jogada na cara do garotão de Redmond passa a ser assunto que merece igual tratamento que um fantástico bug no Windows98. Não quero entrar no mérito dessa paranóia, mas direi que ela, de certa forma.se justifica por ser uma "reação alérgica" natural: as pessoas sentem que a Microsoft quer o domínio e se revoltam.
Dentro deste quadro, como veremos o OS/2? Um sistema operacional muito bom, talvez voltado também para o lado humano das criaturas, enquanto o Windows é puramente tecnológico, desumano, fechado e imbecilizante? Sim, é exetamente isto, porque se formos analisar as diferenças fundamentais existentes entre o OS/2 e o Windows veremos que:
- No OS/2 o usuário tem o controle de tudo e pode dominar o sistema operacional; pode controlar e criar; pode ter autonomia a um tal ponto que chegue a prescindir da IBM para continuar trabalhando.
- No Windows você não tem o controle de nada: a Microsoft é que tem você sob seu permanente domínio. Quando um usuário liga o Windows98 a tela já vem com uma barra de opções de consumo escolhidas para você: Estadão, Unibanco, Itaú etc etc etc. Não é você quem decide: a Microsoft empurra pela sua goela abaixo o que ela quer que você consuma.

Esse contraste vale para tudo: principalmente para a área técnica, que compreende o funcionamento, a operacionalidade, a manutenção e o desenvolvimento do sistema. A IBM sabe disso e voltou seu enfoque para a Europa, tanto assim que o Aurora, ou seja, o novo Warp Server que será lançado em 1999 vem inteiramente compatibilizado com tudo que diga respeito ao Euro, a nova moeda única daquele continente. É lá na Europa que estão os grande usuários de OS/2 do mercado corporativo. É lá que um número cada vez mais crescente de empresas implementam redes com a plataforma Warp. É lá que o Apache está sendo mais intensivamente usado para dar poder aos servers, em instituições financeiras da Bélgica e de outros países. E por que isto acontece? Porquê o europeu, tendo toda uma cultura, não se deixaria dominar pela Microsoft como os terceiro-mundistas.
Uma coisa é certa: se sair o Warp 5.0 - o que é uma hipótese remota, será o canto do cisne da IBM no mercado SOHO.Porque ela, agora, vai se dedicar inteiramente ao mercado corporativo e nós, os usuários de OS/2, teremos duas opções: ou passamos para o Aurora e vamos trabalhar stand alone com Warp Server, ou ficamos com o OS/2 do jeito que está - e aí teremos de nos contentar com o hardware existente e esquecer os futuros avanços no setor, que prometem ser formidáveis. O que é que vocês preferem? Seja qual for a resposta, uma coisa é certa: com OS/2 ou com Aurora estaremos sempre melhor do que com Windows, porque nós é que estaremos no controle.

E agora, como será?

Já está definido: o mercado SOHO fica para a Microsoft e a IBM vai continuar com o OEM Win nas suas máquinas de consumo doméstico. É como diria o finado Chacrinha: "Vocês querem isso? Então tomem!". E os usuários de OS/2, os que usam o Client, como é que ficam diante dos novos rumos que apontam para a Europa e para um Warp Server de cabeça européia? Ora, eu acho que ficam muito bem! Em primeiro lugar, é uma evolução e toda evolução tem seu preço. Na verdade, toda evolução é traumática. Muita gente vai ser arrancada da acomodação e terá de queimar as pestanas em cima de helps on-line e de livros em inglês para tomar assento no comando Warp Server...com ele sendo usado stand alone. Mas olhem só: quem usa computador para trabalhar, para produzir alguma coisa, e não para atividades no mínimo alienantes, deve ficar contente, porque estamos diante de uma nova realidade! É um mercado de trabalho inteiramente novo e promissor que está surgindo. Com o Warp Server em expansão (venha com que nome vier e de que modo for) serão requisitados experts na matéria, por uma razão muito simples: não é coisa para diletantes. Com o fortalecimento da IBM nessa fatia - porque eu vejo que é uma fatia mesmo, e não apenas um nicho - o universo do Warp vai se fortalecer também: novos aplicativos, drivers mais modernos, novas táticas de rede (a sublimação do Token Ring, hehehehe...) e a necessidade de mais profissionais em ação. Eu acho isso muito bom, porque do jeito que as coisas estão atualmente, pelo menos aqui no Terceiro Mundo, um profissional da área que não entender também de Windows está riscado do mapa. Agora isso vai mudar.
E eu digo a vocês porque vai mudar: tudo está mudando e a tendência geral é a do fim do emprego tal qual nós o conhecemos hoje. As pessoas trabalharão em casa, conectadas pela Internet, e usarão antenas em vez de telefone. Redes inteiras estarão interligadas por rádio-modens. Isso porque o deslocamento físico das pessoas está cada vez mais difícil, devido à insegurança e ao caos no trânsito. Tal realidade exige não apenas bom hardware, mas um OS robusto e confiável, coisa que a Micro$oft não tem para oferecer. É aí que entra o novo OS/2: um Warp corporativo que vai matar o NT a pau e que é perfeitamente viável para workstation residencial de quem estiver interessado em trabalhar. Os joguinhos, os cartões de visita, as home pages feitas por hobby, isso tudo vai ficar para o Windows98, com seus menus se desfraldando suavemente.
Se o OS/2 ficasse como está agora, seus usuários ou se tornariam uma tribo como a dos donos de Harley Davidson, ou iriam terminar passando para Windows. Com a definição de mercado implementada pelos estrategistas da IBM pelo menos agora temos uma certeza: vai haver um OS/2 muito forte na praça, com um mercado de trabalho muito interessante e com atualizações aceleradíssimas em ralação à evolução do harware. Trocado em miúdos, vai haver maius emprego e mais dinheiro girando no mundo do OS/2. Isso não é bom?